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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Nevoeiro



Somos como o mar e a lava,
coisas diversas que ao se encontrarem
provoca muito nevoeiro.
Nesse nevoeiro me perdi.
Mas com um sopro forte,
o tempo há de voltar a ficar azul...

sábado, 1 de agosto de 2009

Momento decisivo

Se tudo está escrito
Previsto por um Deus divino
De escolhas não há nada.
Dos ateus o lívre arbítrio
Defendido por Sartre
Com almas no comando
Do seu próprio destino.
Se existem diferentes caminhos
Podemos sonhar o futuro
Mudar tudo.
E por frações de segundos
Tem gente que fica uma vida inteira
A procurar respostas...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A primeira vista

Atraída pela beleza
Num olhar de relance
Ao levantar da mesa
O instante
Que viria a ser
O primeiro de muitos
Sexo, planos, viagens
E outros assuntos
Fazem semanas
De encontros, romance
Tardes animadas,
Suspiros constantes
Tem nome de lord
Mão grande
E cara de menino
Tenho andado distante
E passado os dias sorrindo.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Elly!

Dormência no corpo
E mais um gole
Risadas e beliscões
Debaixo da mesa.
Pessoas desconhecidas
Todas amigas
Sede!
E mais um gole de cerveja.
Confio na pessoa que está comigo
E vou me deixando levar...
Mais um gole e mais outro
Pista de dança
Sinuca de bar
Conversa apimentada
No canto da orelha
Cerveja!
Mais cerveja!
E uma pina colada
Por favor!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Girassol

Em pouco tempo e muitas palavras
Um rabisco, um desenho
Disfarço um sorriso de graça
Algum traço de dor

Um sol pintado a dedo
Um artista boa praça
Fez a flor do meu desejo
E não só...

Fiquei presa num lampejo
De minutos eternizados em cor
Numa fuga de endereço
E nas dores de um amor.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Poesia e outras drogas

Dizem que a literatura mundial seria pobre
Se o artista fosse abstinente
Que o poeta romântico foi o primeiro
A explorar o mundo do inconsciente
Baudelaire, no século retrasado
Fundou clubes, fez clientes
Clarice era dependente
Vinicius fazia uso frequente
E a Amy... deprimente!

Mentes que criam são assim: diferentes
Refletem exaustivamente
Entre doses de desdém...
Foucault, Freud, Marx
Elaboraram teorias incríveis
Viajaram para dentro de si mesmos
Ou além...

Essa loucura desejada profundamente
Na espera de um trabalho melhor
Aprisiona, cria correntes, é uma doideira só
No delírio de expressar-se à altura
Um jovem escritor, da poesia pura
Afundou-se em dias de insônia
De juras de amor.

Todas as justificativas para explicar o vício
Do ponto de vista literário
São muito profundas, bonitas
Mas do ponto de vista contrário...
São consumo excessivo, mal vistas
São desculpas poéticas de um drogado artista.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Lazer

Excesso de cigarros
Pigarros
Guardanapos
Tacos, bolas
Horas e horas.

Conversa boa
Risos à toa
Rap sem compromisso
Vícios e vícios...

Chuva, dilemas
Cores d' aurora
Bebidas, poemas
Agora, agora.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A corrida contra o tempo

O tempo passa sem pedir licença
O tempo passa e não volta
A gente pensa e ele passa
A gente cansa, a gente ama...
A gente drama e se solta
A gente conta quanto tempo passou.

Imensa saudade dos bons tempos
Tempo esse que não liga pra nada
A gente sente, a gente sofre
A gente esquece, a gente é forte
A gente tenta se dar norte
A gente vive e o tempo fica pra trás.

Há tempo passado, há tempo por vir...
Há perda de tempo evidente
Que de tempo em tempo ataca.
O Tempo presente
A gente ganha, tem poesia
A gente morre e ele acaba.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Inspiração

Por dias e dias nenhuma idéia
Ou idéias abstratas demais
Tem dias de samba, dias de jazz
Tem dias de choro, tem dias que não há nada
Há dias e dias que as idéias não voltam mais.

Há dias, há dias atrás...
Houve dias de glória
Há dias atrás foi uma vitória
Lembranças escritas na memória
Escritas de arte e beleza.
Em um ato só, de tudo luz
Por dias e dias compus.

Mas dos dias, a maioria é trabalho
Como já dizia Allan Poe
Não há iluminação divina
É tudo boato!
E disse, passo a passo
A filosofia da composição do seu maior poema
Mas digo: - Há dias escrevi sem problemas.

Então, podemos dizer, que há dias de inspiração
Dias de lenda, dias de terror e suspense
Dias em que o trabalho compense
Mas também há dias de nada.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

O samba d'alegria

Hoje sonhei com mil palavras cruzadas
Araras de rimas raras, lindas, infindas
Poesia celeste, cordéis do agreste
Músicas de todo tipo, cheias de ritmo
E duas imagens não saíam da minha cabeça
A sutileza de um gesto amável
E a saudade de um notável alguém.

Nobre coração de incertezas
Insisto! O amor seja como seja
Que seje sempre poesia, que seja!

Deste samba faça a sua filosofia.
É uma alegria amar e não sofrer
Há quem diga, que assim o amor não existe
Mas pra quê amar se você ficar triste?
Amor assim, não desejo pra ninguém.

Nobre coração de incertezas
Insisto! O amor seja como seja
Que seje sempre poesia, que seja!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Estorvo

Da nostalgia do verão - fumaça
Falta de pedigree: vergonha
Do passado distante - alívio
Você, presente, maconha
De uma escolha passageira, tua eternidade
Amor esquecido, descabido
Que da falta de vontade haja amizade
Mas de um mero cumprimento ilusão?
Pedido de esmola no momento errado
Desprezo, pena, olhar desviado
E do último dia até hoje: um imenso abismo
Um inverno de palavras rigoroso
De insistência, egoísmo
E de maluquice distância
De coitado nada!
De invasão de espaço: suficiente
De insensatez - você
Eu, a cada dia, mais impaciente.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Dona Sabedoria

Curioso receber palavras divinas em momentos exatos
De pessoas de sempre, nem tão por dentro dos fatos
De filosofias baratas, palavras insensatas
De falta de opinião estou farta.
Dessa gente de superfície, de farsa
De fantasia sem nexo, de graça, de cabeça fraca.

Outro dia saí com a Sabedoria
Outro nível de compreensão, de filosofia
Ver através das palavras é uma virtude
Saber dos outros, dos por ques, dúvidas, agonias.

Na vida, estou cheia delas...
As Donas Sabedorias que falam sobre a verdade
Sobre tristeza, saudade, alegria
Inveja, excesso de vaidade, amizade
E sentimentos mesquinhos da sociedade.

O melhor de tudo é reconhecer
O lado mundano existente, animal da gente
A face egoísta, presente, abafada, insistente
Tudo que o sistema cultural decidiu conter.

Na vida, sou cheia de Sabedorias
De sorrisos nos lábios e poucas palavras vazias
Gente disposta a ouvir e apreender
Gente que cala e quem aprende é você.

sábado, 18 de agosto de 2007

A namorada do poeta

Houve ciúmes da minha parte
quando li seus poemas que não eram meus.
Mas entendi que a poesia é uma forma de arte
que não tem dono e a todos pertence
gera identificação, vontade de agir
faz chorar, faz sentir.
Suas poesias continuarão a existir
mesmo quando as pessoas
para quem foram endereçadas
(suas fontes de inspiração)
não estiverem mais aí.
Suas poesias são de quem as quiser
de quem elas fizerem sorrir
de quem elas fizerem chorar
de quem elas fizerem te amar também.
Mas é ilusão achar que poesia tem dono.
Depois que você se for
alguém as lerá e as terá para si
fará com que você viva de novo.
E a essa pessoa
é para quem as suas poesias se dedicam.
Hoje eu entendi
que suas poesias são para ninguém
porque as pessoas se vão
mas suas poesias ficam.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Insônia

A insônia aparece assim sem ser bem-vinda
nessas horas as palavras são a melhor companhia.
Os pensamentos vem e vão num ritmo acelerado
e o corpo lhes responde mostrando sintonia...
Alguns remédios, antes deixados de lado
agora estavam na caixa de itens utilizados
Como se eles fossem resolver algum problema
que na verdade não são físicos, são psíquicos
dúvidas, dilemas
 Mania de ficar pensando na vida
refletindo os defeitos, procurando uma saída.
Eu sei que pensar demais não leva à nada
faz surtar, imaginar suposições
dá uma agonia exagerada
Eu quero paz dentro do peito
me aceitar como sou, pois cada um é de um jeito.
Não invejar ou me retrair
reconhecer nos outros as qualidades
Mas lembrar que em mim elas também devem existir...

domingo, 5 de agosto de 2007

Excesso noturno

Ombros tensos...
Uma nuvem negra se aproxima.
A cabeça não para, a boca não fala, só os olhos.
Dias trocados pela noite, alcool em excesso.
Problemas nossos, dos outros
Coisas sem nexo.
Roupas, rivais, nomes listados
Companias e drogas
Fazer-se notado.
Confuso imaginar ser parte
Mundo noturno
Música, vídeos
E alguma forma de arte.