domingo, 3 de fevereiro de 2008

O samba d'alegria

Hoje sonhei com mil palavras cruzadas
Araras de rimas raras, lindas, infindas
Poesia celeste, cordéis do agreste
Músicas de todo tipo, cheias de ritmo
E duas imagens não saíam da minha cabeça
A sutileza de um gesto amável
E a saudade de um notável alguém.

Nobre coração de incertezas
Insisto! O amor seja como seja
Que seje sempre poesia, que seja!

Deste samba faça a sua filosofia.
É uma alegria amar e não sofrer
Há quem diga, que assim o amor não existe
Mas pra quê amar se você ficar triste?
Amor assim, não desejo pra ninguém.

Nobre coração de incertezas
Insisto! O amor seja como seja
Que seje sempre poesia, que seja!

sábado, 3 de novembro de 2007

À loucura


Comigo também foi assim... Eu sabia que me tornaria louca sem deixar o convívio social. E esse seria meu fardo: só eu saber da minha loucura. Então, tornei-me anti-social, por muitos rotulada de desenturmada. Só porque não exilei-me como fez Osho ou Buda, para evoluir. Ahh, mas ficar em grupo proferindo achismos, quando devo ouvir, apenas ouvir... É besteira! Enfim, aqueles que sabem o que estão falando que digam a sua verdade, não eu aprendiz.

De grupos meus ouvidos ensurdeceram. Portanto, nem sempre socializo. Prefiro os livros, os filmes, os animais ou as plantas e paisagens. Assim assimilo a vida sem disputar palavras, na maioria das vezes vagas.

Desses grupos achistas, outro dia ouvi dizer que o anti-social é desenturmado, o que é verdadeiramente idiota porque a palavra "desenturmado" traz a concepção de rejeição e, no entanto, é o anti-social que rejeita.

Não tenho a menor necessidade de fazer parte de qualquer grupo que seja, até porque já faço parte de vários, à minha maneira, com meus limites. Acho que há grandeza no saber andar por aí sozinho. Ou com o "migo", que é um ótimo amigo, vai onde eu quero, pensa como eu e melhor ainda, me entende. Hoje comemoro a loucura, pois andar comigo faz-me rir.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Estorvo

Da nostalgia do verão - fumaça
Falta de pedigree: vergonha
Do passado distante - alívio
Você, presente, maconha
De uma escolha passageira, tua eternidade
Amor esquecido, descabido
Que da falta de vontade haja amizade
Mas de um mero cumprimento ilusão?
Pedido de esmola no momento errado
Desprezo, pena, olhar desviado
E do último dia até hoje: um imenso abismo
Um inverno de palavras rigoroso
De insistência, egoísmo
E de maluquice distância
De coitado nada!
De invasão de espaço: suficiente
De insensatez - você
Eu, a cada dia, mais impaciente.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Admirável mundo novo


Ideologia, eu quero uma pra viver

Se nossos heróis morreram de overdose, na verdade a gente nem sabe, pois nem heróis mais a gente tem. Vemos nossos inimigos no poder e não fazemos nada, não queremos nada, não sonhamos com mais nada. Uma geração perdida entre Orkut e escova progressiva, sem personalidade, sem sonhos, sem ideais. Afinal, o que a gente quer?

Enquanto na ditadura nossos pais arriscavam suas vidas pelos seus ideais, nosso grande motivo de protesto é o cancelamento das chopadas na PUC. Enquanto algum dia já se acreditou que é nosso dever fazer um mundo melhor, não somos nem capazes de jogar nosso lixo no lugar certo e nosso grande dilema e para que night vamos hoje. E não adianta usarmos a desculpa de que a ditadura acabou e não há mais nada para combatermos. E a violência do Rio? Os escândalos no governo? A gente vai continuar assistindo a tudo isto calado?! Não, a gente nem assiste, pois o Jornal Nacional é no mesmo horário do The O.C..

A gente prefere fechar os olhos, e dançar até o amanhecer. Malhar o corpinho na academia pra não ter que pensar, gastar nossas tensões no cartão de crédito... Nós somos produtos, sem identidade, parte de um sistema que depende de nós para sobreviver, só isso. O dono do bar precisa de alguém para comprar suas bebidas, o da loja , suas roupas. Se este alguém é Ana, Carolina ou Beatriz, não importa. As três, aliás, devem ter o mesmo cabelo liso com luzes nas pontas, a mesma calça Diesel, um fotolog mostrando momentos felizes (sim, porque a vida é bela e todos vivem sorrindo...) e a mesma pulseirinha amarela Livestrong. Devem freqüentar os mesmos lugares, dizer que não agüentam mais estes lugares, mas “vão porque todo mundo vai”. 

E assim funciona a nossa cabeça. Seguimos, de olhos fechados, aos que não sabem para onde estão indo. Se um vai pra festa, todo mundo vai; se um faz cursinho pré-vestibular, todo mundo faz. Ninguém toma a iniciativa de pensar, questionar, olhar para este sistema com olhos mais críticos. Afinal, temos um mundo de ofertas diante de nós. Pra que parar pra pensar?! Acabamos nos perdendo em tudo isto que temos... Perdendo nossos sonhos e transportando nossos problemas para “que roupa vou usar hoje?”.

Aonde vamos chegar? Não sei... Não nos frustramos por não chegar a lugar nenhum uma vez que nem objetivo mais temos! Talvez um dia caiamos na real e pagaremos o psiquiatra mais caro para nos dar um Prozac , na tentativa de continuar vivendo no nosso falso conto de fadas. Assim, nos tornaremos também os financiadores da indústria farmacêutica... 

(Anna Costa e Silva)